Cumprimento os componentes da mesa, representados na pessoa do Dr. João Meirelles Câmara, Dra. Sueli Carlos e Dr. Armando Taminato.
Cumprimento os caros colegas cuja coragem me fez saltar os olhos e cujo canto ecoa ousadia. Que prossigamos em vencer a nós mesmos e a palavra que há em nós. A palavra é um nome. Defini-la seria como acrescentar-lhe um sobrenome. O nome completo? Palavra Histórica. Seu poder é desconhecido. Essa possui uma irmã desprovida de sobrenome, chamada palavra. Seu poder é conhecido, possui usos e desusos, cria, descria, não cria, constrói e destrói e tão pouco silencia.
A palavra é e não pode ser sozinha. Ela traz vida, a multiplica e a destrói. A morte algumas vezes lhe cai bem, porém revive e passa a existir em muitos outros caminhos. Vive sozinha e quem a fala a modifica. Modifica a si aos outros. Erupciona como um vulcão, venta e retira entre brisas e carícias os frutos vistosos de suas próprias sementes se plantada adequadamente. É ferida que dói e que se sente. É um contentamento descontente se repousar em lábios corruptos e displicentes, porém doce se ouvida atentamente.
Ela é carregada na mochila dos aventureiros, manipulada pela audácia vendedora, honrada pelos donos do Direito, aprendida pelos corajosos, estudada pelos loucos, amada pelos apaixonados, defendida por idealistas, amada por realistas, conscientizada pelos sábios, explicada pela experiência, pregada pelos loucos, afiada pelos cultos, simples para os humildes e desprezada pelos tolos.
Entre tanta beleza, a história presente na palavra se perde, se esvaia, some, desaparecendo entre muitos que nem a perceberam.
A palavra pensada é digna, respeitada. A palavra não esquecida permite que a história seja eterna. Esta deve ser protegida. Nos gabamos de um samba de uma nota só, de passistas de beleza vã, do futebol que enriquece os que andam por seu gramado e alegram àqueles que não pensam em nada.
Por quais caminhos passeia a palavra poetizada, “conteada”, proseada, “roseada” se não em frases que iludem o povo com promessas que só enchem a barriga.
Os encantos de Padre Vieira, as provocações de Machado de Assis, o canto de Cecília Meireles, as brincadeiras de Guimaraes Rosa, tudo se dissipa e não se vê nem mesmo as cinzas,a palavra histórica foi negada a vida.
Que feliz é a Palavra Histórica “dita no tempo a seu tempo”! Crédito lhe é concedido. Ame a palavra, faça a de boba, mas antes de qualquer coisa a respeite. Ela reflete a cabeça, o coração e o estomago, pode ser pura e desviar o furor se acolhida pela sabedoria. A rispidez a agride e suscita a ira.
Tomo como minhas duas citações do escritor uruguaio, Eduardo Galeano, "quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha afinal o vencido não está totalmente vencido até que fechem a sua boca".
A palavra dá voz a alegria e a justiça.
Defenda a palavra. Defenda sua história.
Escrito por mim, Hadassa de Almeida
Escrito por mim, Hadassa de Almeida


