terça-feira, 15 de novembro de 2011

Em defesa da palavra




       Cumprimento os componentes da mesa, representados na pessoa do Dr. João Meirelles Câmara, Dra. Sueli Carlos e Dr. Armando Taminato. 
      Cumprimento os caros colegas cuja coragem me fez saltar os olhos e cujo canto ecoa ousadia. Que prossigamos em vencer a nós mesmos e a palavra que há em nós.
     A palavra é um nome. Defini-la seria como acrescentar-lhe um sobrenome. O nome completo? Palavra Histórica. Seu poder é desconhecido. Essa possui uma irmã desprovida de sobrenome, chamada palavra. Seu poder é conhecido, possui usos e desusos, cria, descria, não cria, constrói e destrói e tão pouco silencia. 
     A palavra é e não pode ser sozinha. Ela traz vida, a multiplica e a destrói. A morte algumas vezes lhe cai bem, porém revive e passa a existir em muitos outros caminhos. Vive sozinha e quem a fala a modifica. Modifica a si aos outros. Erupciona como um vulcão, venta e retira entre brisas e carícias os frutos vistosos de suas próprias sementes se plantada adequadamente. É ferida que dói e que se sente. É um contentamento descontente se repousar em lábios corruptos e displicentes, porém doce se ouvida atentamente.
     Ela é carregada na mochila dos aventureiros, manipulada pela audácia vendedora, honrada pelos donos do Direito, aprendida pelos corajosos, estudada pelos loucos, amada pelos apaixonados, defendida por idealistas, amada por realistas, conscientizada pelos sábios, explicada pela experiência, pregada pelos loucos, afiada pelos cultos, simples para os humildes e desprezada pelos tolos.
Entre tanta beleza, a história presente na palavra se perde, se esvaia, some, desaparecendo entre muitos que nem a perceberam. 
     A palavra pensada é digna, respeitada. A palavra não esquecida permite que a história seja eterna. Esta deve ser protegida. Nos gabamos de um samba de uma nota só, de passistas de beleza vã, do futebol que enriquece os que andam por seu gramado e alegram àqueles que não pensam em nada. 
    Por quais caminhos passeia a palavra poetizada, “conteada”, proseada, “roseada” se não em frases que iludem o povo com promessas que só enchem a barriga. 
    Os encantos de Padre Vieira, as provocações de Machado de Assis, o canto de Cecília Meireles, as brincadeiras de Guimaraes Rosa, tudo se dissipa  e não se vê nem mesmo as cinzas,a palavra histórica foi negada a vida.
    Que feliz é a Palavra Histórica “dita no tempo a seu tempo”! Crédito lhe é concedido. Ame a palavra, faça a de boba, mas antes de qualquer coisa a respeite. Ela reflete a cabeça, o coração e o estomago, pode ser pura e desviar o furor se acolhida pela sabedoria. A rispidez a agride e suscita a ira. 
     Tomo como minhas duas citações do escritor uruguaio, Eduardo Galeano, "quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha afinal o vencido não está totalmente vencido até que fechem a sua boca".  
      A palavra dá voz a alegria e a justiça.




      Defenda a palavra. Defenda sua história.

Escrito por mim, Hadassa de Almeida


O relógio



"ei, coração...
porquê me enganas tanto?
ei, coração...
tantas vezes que perdi a razão
por pensar que para ser feliz
... era só fazer o que me diz
ei, coração...
tanto sofrimento em vão
você não sabe que tudo passa?"

Daniela Araujo

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

E assim sou eu....



Inundada por pensamentos. Eles são inadequados, contraditórios e sombrios.

Sinto me confrontada pelo cristianismo que reproduz robôs 100% felizes e satisfeitos, porém faço uso do livre arbítrio tão peculiar ao Mestre. Esse é o cristianismo puro e simples.

Me encontro cheia de porquês...

Não sei pra onde ir... lembro me dos conselhos que clamam por dias silenciosos. Como silenciar pensamentos que gritam e roubam o que muitos nem percebem ser?

Em uma sexta-feira ouvi que existem “tesouros que eu só posso encontrar na escuridão”...

Anseio por essa escuridão que “Deus criou para seus propósitos”...

“Referimo-nos a um tipo de escuridão diferente, e Deus diz que há tesouros a serem encontrados nela. ‘E te darei os tesouros das escuridades e as riquezas encobertas, para que possas saber que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que me chama pelo teu nome  (Is 45:3). O tesouro que encontramos na escuridão é ele”.

                                                                                         Stormie Omartian 

E assim sou eu? NÃO, assim estou eu. Vai passar...

sábado, 26 de março de 2011

O toque do vento

"... as emoções  são nossas reações mais diretas ao conceito que formamos ao nosso respeito e ao mundo que nos cerca." Brennan Manning



Em um dia aparentemente comum, notamos uma jovem cheia de livros no ponto de ônibus. Podíamos sentir o stress a cada gesto. Embora os livros e a postura desta estudante tenham chamado atenção, um detalhe roubou a cena, um sorriso de uma criança.

O vento deliciosamente impetuoso tocava a face da criança nos braços de sua mãe e ela não perdendo a oportunidade sorria quando tentava manter seus olhos abertos ao receber o toque do vento.

Tudo o que pudiamos fazer era sorrir... e o fizemos... permitimos o toque, a afeição e a carícia de um gesto  tão gentil .... um presente especial sem razão... um presente fruto de amor..

quinta-feira, 24 de março de 2011

Percepção


in memorian da percepção personificada, a tradução exata em qualquer língua, o significado real de carinho Andreia Farias

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Curta a prisão...

"... a cela é um lugar ideal para aprendermos a nos conhecer, para se vasculhar realística e regularmente os processos da mente e dos sentimentos. Ao avaliarmos nosso progresso, como indivíduos, tendemos a nos concentrar em fatores e externos, como posição social, influência e popularidade, riqueza e nível de instrução. Certamente são dados importantes para se medie o sucesso nas questões materiais, e é perfeitamente compreensível que tantas pessoas se esforcem tanto para obter todos eles. Mas os fatores internos são ainda mais decisivos no julgamento do nosso desenvolvimento como seres humanos. Honestidade, sinceridade, simplicidade, humildade, generosidade pura, ausência de vaidade, disposição para ajudar aos outros – qualidades facilmente alcançáveis por todo indivíduo – são os fundamentos da vida espiritual. O desenvolvimento de questões dessa natureza é inconcebível sem uma séria introspecção, sem o conhecimento de nós mesmo, de nossas fraquezas e  nossos erros. Pelo menos – ainda que seja a única vantagem – a cela de uma prisão nos dá a oportunidade de examinarmos diariamente toda a nossa conduta, de superarmos o mal e desenvolvermos o que há de bom em nós. A meditação diária, de uns 15 minutos antes de nos levantarmos, é muito produtiva nesse aspecto. A princípio, pode ser difícil identificar os aspectos negativos em sua vida, mas a décima tentativa pode trazer valiosas recompensas. Não se esqueça de que santos são pecadores que continuam tentando.”
                                                                                                                             Nelson Mandela

De uma carta para Winnie Mandela, escrita na prisão de Krronstad, datada de 1° de fevereiro de 1975.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

COMO DEUS ESCREVE A VIDA por Philip Yancey


“Para você, está ficando mais fácil escrever?” ...
 


   “Para você, está ficando mais fácil escrever?” – perguntou alguém recentemente. Depois de três décadas ganhando a vida colocando palavras no papel, tenho que responder “não”. Quanto mais escrevo, mais consciente fico dos meus problemas, como clichês, buracos, imagens fracas e repetições. Quanto tento superar um outro desafio, como subir uma escada ou escalar uma montanha, digo a mim mesmo: “Sim, isto é mais difícil que escrever”.

    Um dia, numa hora de riso, perguntei-me se Deus sabia alguma coisa sobre o processo que eu atravessava. Deus falou, mas escreveu? Procurei exemplos na Bíblia. Os Dez Mandamentos vieram logo à minha mente. Êxodo registra que Deus deu a Moisés duas tábuas inscritas pelo seu próprio dedo. A ênfase é que as tábuas foram uma obra de Deus; sua escrita foi gravar nas tábuas (Ex. 31.18; 32.16). Os eruditos dizem que as tábuas fixaram um tratado ou acordo entre Deus e os israelitas, a exemplo dos tratados entre outros governantes e seus súditos, os quais estabeleciam o que deveria ser esperado de cada parte. Diferentemente dos seus vizinhos, os israelitas não precisavam temer os caprichos de Deus, que tinha assinado um tratado honesto.

    Quando Moisés desceu do Monte Sinai, contudo, os israelitas já tinham quebrado os dois primeiros mandamentos. Furioso, Moisés despedaçou as tábuas, o que levou Deus a reescrever algo pela primeira vez.

    A cena seguinte sobre a escrita sobrenatural aconteceu na terra da Babilônia (atual Iraque), quando o rei Belsazar profanou os copos de ouro do templo em Jerusalém ao servir vinho neles para lubrificar seu grande banquete. Repentinamente, os dedos de uma mão apareceram e escreveram quatro palavras no reboco. O rei observou a mão enquanto ela escrevia. Seu rosto ficou pálido, e ele ficou tão assustado que os seus joelhos batiam um no outro e as suas pernas vacilavam” (Dn 5.5-6). Belsazar tinha razão para temer: naquela noite o poderoso império babilônico cairia diante dos persas (iranianos de hoje).

    Os Evangelhos registram uma única ocorrência de Jesus escrevendo, e mesmo assim não consta dos manuscritos mais antigos (João 8.1-11). As autoridades religiosas tinham flagrado uma mulher no ato do adultério e arrastaram-na até Jesus para lhe armar uma arapuca. Por ter quebrado um dos Dez Mandamentos, merecia a morte, segundo a lei mosaica. Por outro lado, os romanos proibiam os judeus de praticar a pena capital. O que Jesus disse, na ocasião?

    Ele não disse nada, mas se abaixou e escreveu no chão. Como escritor, acho humilhante que na única vez em que vemos Jesus escrevendo, Ele usa como meio a areia – para que as palavras fossem levadas pelo vento ou varridas pela chuva. Além disso, o autor não se ocupa em nos contar o que Jesus escreveu.

    Quando finalmente falou, Jesus disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”. A arapuca desarmou, mas para cima dos acusadores. Então, a única pessoa ali que estava sem pecado, e que tinha o direito de exercer o julgamento, abriu mão de fazê-lo.

O reino da graça emergiu.

    Em outra situação, Jesus resumiu os Dez Mandamentos com um “Ame o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente” e também com “Ama teu próximo como a ti mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem destes dois mandamentos” (Mt 22.37-40). Tomando por empréstimo uma imagem dos profetas, o apóstolo Paulo mais tarde falou de leis escritas no coração.

    Ele disse aos coríntios (sim, aos animados coríntios): “Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos” (2 Co 3.3).

    Encontrei poucas cenas em que Deus aparece como um escritor. Reunidas, elas mostram uma progressão em direção à graça, envolvendo cada membro da Trindade.

    No entanto, os três meios – tábuas de pedra, reboco de parede e areia – não sobreviveram à devastação da história. A literatura de Deus vem passando de geração em geração. “Somos obras de arte de Deus”, disse Paulo aos efésios (2.10), usando a palavra grega “poiema”, do qual recebemos “poema”.

     Depois de resumir as cenas em que Deus está escrevendo, não mais me senti tão incomodado. Compor palavras no papel é uma coisa; criar obras de arte sagradas a partir do ser humano é outra coisa bem diferente

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Desafios

Ás vezes parece que o mundo parou e que nada ao nosso redor tem vida..

"Sinto o chamado de Deus para compreender melhor, praticar e ensinar a arte da orientação espiritual que, na minha cooncepção, é um diálogo guiado pelo Espírito no qual ocorre uma profunda transformação da personalidade humana. Quero fazer tudo o que puder para que ninguém ande sozinho, para que toda pessoa que anseia encontrar DEus e desfrutar da comunhão possa ter acesso a um orientador espiritual para guiá-la nessa busca. As visões que podemos controlar não estão a altura de um Deus que não pode ser controlado. Essa visão parece ser digna dele"

Larry Crabb, "Sonhos Despedaçados"


domingo, 2 de janeiro de 2011

"Sonhos Despedaçados" e "Conexão"

"Imagine o absoluto deleite que é desfrutar de relacionamentos perfeitos com duas outras pessoas sem nenhum medo de que as coisas azedem, uma comunidade de três pessoas talhadas no mesmo tecido, porém inequivocamente distintas. Imagine três pessoas que, sem sombra de competição, sentem-se absolutamente empolgadas com a singularidade das outras duas, que não poupam esforços para dar umas às outras a oportunidade de exibir a sua glória especial. Imagine uma comunidade sem sequer sombra de mal, sem nada senão a perfeita bondade, onde cada membro  pode ser plenamente ele mesmo sem temer  provocar rivalidades ou gerar algo mau."

Larry Crabb, pg. 91-92, Conexão



Nós começamos a estudar os livros do Larry Crabb juntas em 2009. O primeiro foi "Sonhos Despedaçados". O ínicio foi angustiante. Observamos que nossas vidas estavam fora de seu propósito e desígnio. A leitura desse livro nos trouxe a tona o seguinte pensamento e conclusão, não devemos ignorar as nossas dores e fingir que o cristianismo é promessa de felicidade absoluta. Não estaremos livres de problemas. Não estaremos livres de dores. Não estaremos livres de termos nossos sonhos despedaçados.  Aliás estes são o caminho inesperado de Deus para nos conduzir a verdadeira alegria (God's unexpectade pathway to joy - subtítulo do livro na língua inglesa). A dor nos permite o contato com o íntimo do nosso ser "o centro  de nossa alma, onde sentimos nossas  paixões mais ardentes". Como diz Larry Crabb, "A dor é uma tragédia, mas nunca  a única tragédia. Para o cristão, é sempre mais um quilômetro que dever ser percorrido ma longa jornada rumo à alegria".

Passados alguns meses, começamos o segundo, dos quatro que compramos (4 pelo preço de 1 - bendita promoção!), chamado "Conexão", da onde foi extraída a citação acima. O livro é para quem se interessa por cura interior e considera que pode ser veículo de transformação. Nós indicamos.. Ele é uma delícia e provoca pensamentos e motiva nossas ações. O autor, um psicólogo, afirma que hoje muitos procuram aconselhamento profissional por que a igreja não cumpre seu papel (concordamos com essa afirmação). O título de hoje, o pensamento predominante é cada um por si e Deus por todos. Não fomos criados para caminharmos sozinhos. Dentro de nós há algo especial que pode trazer renovo e ou cura para àqueles  que estão ao nosso redor.


A trindade é o melhor exemplo.