segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

COMO DEUS ESCREVE A VIDA por Philip Yancey


“Para você, está ficando mais fácil escrever?” ...
 


   “Para você, está ficando mais fácil escrever?” – perguntou alguém recentemente. Depois de três décadas ganhando a vida colocando palavras no papel, tenho que responder “não”. Quanto mais escrevo, mais consciente fico dos meus problemas, como clichês, buracos, imagens fracas e repetições. Quanto tento superar um outro desafio, como subir uma escada ou escalar uma montanha, digo a mim mesmo: “Sim, isto é mais difícil que escrever”.

    Um dia, numa hora de riso, perguntei-me se Deus sabia alguma coisa sobre o processo que eu atravessava. Deus falou, mas escreveu? Procurei exemplos na Bíblia. Os Dez Mandamentos vieram logo à minha mente. Êxodo registra que Deus deu a Moisés duas tábuas inscritas pelo seu próprio dedo. A ênfase é que as tábuas foram uma obra de Deus; sua escrita foi gravar nas tábuas (Ex. 31.18; 32.16). Os eruditos dizem que as tábuas fixaram um tratado ou acordo entre Deus e os israelitas, a exemplo dos tratados entre outros governantes e seus súditos, os quais estabeleciam o que deveria ser esperado de cada parte. Diferentemente dos seus vizinhos, os israelitas não precisavam temer os caprichos de Deus, que tinha assinado um tratado honesto.

    Quando Moisés desceu do Monte Sinai, contudo, os israelitas já tinham quebrado os dois primeiros mandamentos. Furioso, Moisés despedaçou as tábuas, o que levou Deus a reescrever algo pela primeira vez.

    A cena seguinte sobre a escrita sobrenatural aconteceu na terra da Babilônia (atual Iraque), quando o rei Belsazar profanou os copos de ouro do templo em Jerusalém ao servir vinho neles para lubrificar seu grande banquete. Repentinamente, os dedos de uma mão apareceram e escreveram quatro palavras no reboco. O rei observou a mão enquanto ela escrevia. Seu rosto ficou pálido, e ele ficou tão assustado que os seus joelhos batiam um no outro e as suas pernas vacilavam” (Dn 5.5-6). Belsazar tinha razão para temer: naquela noite o poderoso império babilônico cairia diante dos persas (iranianos de hoje).

    Os Evangelhos registram uma única ocorrência de Jesus escrevendo, e mesmo assim não consta dos manuscritos mais antigos (João 8.1-11). As autoridades religiosas tinham flagrado uma mulher no ato do adultério e arrastaram-na até Jesus para lhe armar uma arapuca. Por ter quebrado um dos Dez Mandamentos, merecia a morte, segundo a lei mosaica. Por outro lado, os romanos proibiam os judeus de praticar a pena capital. O que Jesus disse, na ocasião?

    Ele não disse nada, mas se abaixou e escreveu no chão. Como escritor, acho humilhante que na única vez em que vemos Jesus escrevendo, Ele usa como meio a areia – para que as palavras fossem levadas pelo vento ou varridas pela chuva. Além disso, o autor não se ocupa em nos contar o que Jesus escreveu.

    Quando finalmente falou, Jesus disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”. A arapuca desarmou, mas para cima dos acusadores. Então, a única pessoa ali que estava sem pecado, e que tinha o direito de exercer o julgamento, abriu mão de fazê-lo.

O reino da graça emergiu.

    Em outra situação, Jesus resumiu os Dez Mandamentos com um “Ame o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente” e também com “Ama teu próximo como a ti mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem destes dois mandamentos” (Mt 22.37-40). Tomando por empréstimo uma imagem dos profetas, o apóstolo Paulo mais tarde falou de leis escritas no coração.

    Ele disse aos coríntios (sim, aos animados coríntios): “Vocês demonstram que são uma carta de Cristo, resultado do nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de corações humanos” (2 Co 3.3).

    Encontrei poucas cenas em que Deus aparece como um escritor. Reunidas, elas mostram uma progressão em direção à graça, envolvendo cada membro da Trindade.

    No entanto, os três meios – tábuas de pedra, reboco de parede e areia – não sobreviveram à devastação da história. A literatura de Deus vem passando de geração em geração. “Somos obras de arte de Deus”, disse Paulo aos efésios (2.10), usando a palavra grega “poiema”, do qual recebemos “poema”.

     Depois de resumir as cenas em que Deus está escrevendo, não mais me senti tão incomodado. Compor palavras no papel é uma coisa; criar obras de arte sagradas a partir do ser humano é outra coisa bem diferente

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Desafios

Ás vezes parece que o mundo parou e que nada ao nosso redor tem vida..

"Sinto o chamado de Deus para compreender melhor, praticar e ensinar a arte da orientação espiritual que, na minha cooncepção, é um diálogo guiado pelo Espírito no qual ocorre uma profunda transformação da personalidade humana. Quero fazer tudo o que puder para que ninguém ande sozinho, para que toda pessoa que anseia encontrar DEus e desfrutar da comunhão possa ter acesso a um orientador espiritual para guiá-la nessa busca. As visões que podemos controlar não estão a altura de um Deus que não pode ser controlado. Essa visão parece ser digna dele"

Larry Crabb, "Sonhos Despedaçados"


domingo, 2 de janeiro de 2011

"Sonhos Despedaçados" e "Conexão"

"Imagine o absoluto deleite que é desfrutar de relacionamentos perfeitos com duas outras pessoas sem nenhum medo de que as coisas azedem, uma comunidade de três pessoas talhadas no mesmo tecido, porém inequivocamente distintas. Imagine três pessoas que, sem sombra de competição, sentem-se absolutamente empolgadas com a singularidade das outras duas, que não poupam esforços para dar umas às outras a oportunidade de exibir a sua glória especial. Imagine uma comunidade sem sequer sombra de mal, sem nada senão a perfeita bondade, onde cada membro  pode ser plenamente ele mesmo sem temer  provocar rivalidades ou gerar algo mau."

Larry Crabb, pg. 91-92, Conexão



Nós começamos a estudar os livros do Larry Crabb juntas em 2009. O primeiro foi "Sonhos Despedaçados". O ínicio foi angustiante. Observamos que nossas vidas estavam fora de seu propósito e desígnio. A leitura desse livro nos trouxe a tona o seguinte pensamento e conclusão, não devemos ignorar as nossas dores e fingir que o cristianismo é promessa de felicidade absoluta. Não estaremos livres de problemas. Não estaremos livres de dores. Não estaremos livres de termos nossos sonhos despedaçados.  Aliás estes são o caminho inesperado de Deus para nos conduzir a verdadeira alegria (God's unexpectade pathway to joy - subtítulo do livro na língua inglesa). A dor nos permite o contato com o íntimo do nosso ser "o centro  de nossa alma, onde sentimos nossas  paixões mais ardentes". Como diz Larry Crabb, "A dor é uma tragédia, mas nunca  a única tragédia. Para o cristão, é sempre mais um quilômetro que dever ser percorrido ma longa jornada rumo à alegria".

Passados alguns meses, começamos o segundo, dos quatro que compramos (4 pelo preço de 1 - bendita promoção!), chamado "Conexão", da onde foi extraída a citação acima. O livro é para quem se interessa por cura interior e considera que pode ser veículo de transformação. Nós indicamos.. Ele é uma delícia e provoca pensamentos e motiva nossas ações. O autor, um psicólogo, afirma que hoje muitos procuram aconselhamento profissional por que a igreja não cumpre seu papel (concordamos com essa afirmação). O título de hoje, o pensamento predominante é cada um por si e Deus por todos. Não fomos criados para caminharmos sozinhos. Dentro de nós há algo especial que pode trazer renovo e ou cura para àqueles  que estão ao nosso redor.


A trindade é o melhor exemplo.