quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Assim como (s)ver o mar

Este post é fruto de um simples comentário entre amigos. Nós, sim, apreciamos Fernando Pessoa. O texto abaixo surgiu após visitarmos a exposição "Plural como o universo" no museu de língua Portuguesa..


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Uma exposição! Um andar! Um poeta! Uma única voz refletida em um tema: plural como o universo! Múltiplas características apresentadas em faces escondidas nas palavras, apresentadas no sicio do vento - calmo, porém impetuoso ao tocar nos o olhar até sorrateiramente residir nos recônditos de um coração que também se esconde.  Caminhando por poemas, excertos e aspirações, vemos materializada uma estrofe:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Fernando Pessoa representa o mar, belo e fugaz em sua solitude. O sal, um pouco de si mesmo. Provê gosto em certos momentos, mas não é distinguível em seus excessos e excentricidades.  As lágrimas? Plenamente portuguesas e Pessoalmente particulares quando vê-se um pouco de si perdido nas ondas que intensificam sua busca por uma nova terra, a definição. Uma busca eterna para quem chora sabendo que nunca vai encontrá-la. O mar, em atividade materna, acolhe a outros, criações do dono/representante do mar, um Possêidon, um deus. Essas criações criam indagações, são em forma distintas, formas plurais, mas unidas assemelham-se a um único ser.   A cada passo uma experiência singular, um convite a identificação! Muitas vozes. Vozes de um homem de tamanha grandeza – ramificada em extensões do seu íntimo. Uma caminhada que torna possível sentir identidades perdidas no mar português. Quantos em vão procuram a verdade? Quantos procuram pelo que de fato é verdade sobre o eu, o famigerado, tão versado por Pessoa. Caminhando, as palavras são escritas na areia da praia. Cada grão mostra um detalhe. Cada detalhe compõe um apoio para caminhar. Esse caminhar nos levar ao mar.

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